Sexta-Feira, 18 de Maio de 2012

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Gustavo Albuquerque
A humildade acaba aquiPDFImprimirE-mail
Qui, 26 de Janeiro de 2012 08:46
Escrito por Gustavo Albuquerque

Foto: Divulgação

 

Queridos tricolores,

Em geral, algumas breves divagações sobre o Fluminense me são muito bem-vindas. Especialmente se tenho tempo de lê-las (ou escrevê-las) com calma e sem pressa. E não que me falte o tempo para me imiscuir pelas letras que colorem nossa paixão pelo tricolor, mas há, batendo no peito, como violenta terceira cortando um samba antológico, uma força avassaladora que me impulsiona para escrever o óbvio: a cidade respira o Fluminense.

Botecos, esquinas, pontos de ônibus e praias lotadas. Ainda quando o assunto gira em torno de qualquer outra coisa que não seja futebol, há ali evidente menção ao Fluminense de 2012. IPVA, Lei Seca, Copa do Mundo, bota - abaixo da perimetral. Mentira. É só Fluminense.

Antes que estranhem, gostaria de me explicar um pouquinho melhor. Sou daqueles camaradas que sempre viram as pesquisas sobre tamanho de torcida com indisfarçável prazer. Minha tese é muito simples e - perdoem-me a presunção - de inquebrantável sustentação: precisamos dos tricolores ao nosso lado dentro dos estádios. Só. Na rua, sob esse calor "saariano" que acomete esta cidade de janeiro a janeiro, quanto mais gente torcendo contra melhor. Simples assim.

Quanto o Ibope nos dá?

Não importa. Acho exagerado.

Como eles estão indóceis, meu Deus.

Falo de inveja mesmo.

Ela, a inveja, é sentimento de interessante entendimento. Arrisco dizer que salvo em sessões de auto-hipnose ou de comprovada incorporação pelos terreiros da cidade, deve ter uns duzentos anos que o Rio não testemunha alguém confessando senti-la.

- Eu te invejo. Meu Botafogo treme na hora de chegar. – Eu te invejo. Nunca gostei de ir a São Januário. Sempre menti pra você, aquilo é muito ruim.  – Eu te invejo. Não sei como vou passar o ano todo torcendo pra Magal e Itamar. E sim, acho que a Patrícia ainda afunda o Flamengo.

A gente nunca vai ouvir isso.

Vai ouvir que o Thiago Neves não é tudo isso, que o Fred vai se machucar, que o Deco já acabou.

Inveja.

Doce inveja.

Porque o time que montamos, meus amigos, o time que montamos tem tudo pra fazer com que nosso 2012 seja inesquecível.
Fred, Deco, Wagner, Thiago Neves, Lanzini, Rafael Moura, Sóbis, Nem…

Admitir nossa superioridade é uma mera questão de lógica cartesiana. Quem tem os melhores colherá melhores resultados.

A defesa precisa de ajustes? É evidente. Mas quem tem essa defesa no futebol brasileiro? Nosso técnico comete erros bobos? Mas quem melhor do que alguém com o caráter do Abel para administrar tantos excelentes jogadores? O futebol é mesmo a tal caixinha de surpresas? Mas quem deve ser preocupar com elas? Quem tem o Fred ou o Alecsandro com a bola nos pés?

Eu sinto a inveja entrar pelos meus poros. Como senti em 95 quando a urubuzada nos olhava entrando no maraca sem entender o porquê daquela confiança toda.
Mas com uma diferença crucial. Enorme. “Siderúrgica”: junto com a camisa que literalmente nos deu aquele campeonato (nunca me desceu a história do gol de barriga. Foi gol de camisa!) no meio de uma porção de Rogerinhos e Cadús, hoje temos o melhor elenco das Américas.

Que aliás, como tal, vai duelar em dezembro contra o Barcelona, pra apagar a impressão covarde e (desculpem-me pelo termo) muquirana que o tal do Muricy deixou ao mundo.

Podem me cobrar.

Desfraldem as bandeiras, separem o da cerveja, deboche da molambada ao seu lado. Vão por mim.

A humildade – já diria Nelson Rodrigues – acaba aqui.

Um bom ano e um forte abraço a todos.

Agora, se me dão licença, vou comprar aqueles amuletos contra mau olhado pra colocar na minha porta.

A humildade acaba aqui
 

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